
Ah, com aquele sorriso ele me ganhou. Imagine só: você fica quase dois meses sem ver o cara e de repente ele aponta na esquina, de pólo vermelha, calça jeans, pele morena e mais magro do que quando te deixou. É, talvez a distância e o sofrimento embelezem mais as pessoas. Se bem me lembro, foram em duas ou três ligações que a conversa deu espaço ao choro desde que ele se fora.
E naquela segunda-feira, justo naquela maldita segunda, ele resolveu voltar. O dia, que havia começado com uma reunião pauta interminável, terminou com uma agradável discussão sobre como a Amanda já podia decidir, por ela mesma, se ia ou não para a aula de francês.
Cada palavra que ele dizia, cada saquinho de pipoca que me comprou só para fazer um mimo, ia me reconquistando lentamente. E como eu amava aquele homem, Deus do céu. Amava porque ele é a típica pessoa que faz de tudo para ser agradável: prepara almoço, jantar e café da tarde, compra os pães mais branquinhos e fofos que encontra na padaria, conserta a lâmpada do meu quarto e ainda adoça o suco de limão com a mesma paciência que torna a minha vida ainda mais doce.
Não que ele seja perfeito. Ele está bem longe disso, aliás. No domingo mesmo, porque eu não respondi a uma de suas provocações, ele soltou os cachorros. Disse que eu era perigosa e fazia tempestade num copo d’água, além de chorar incessantemente quando algo não acontece do jeito que eu planejo - eu, perigosa?!
O fato é que, depois de saber que ele me levará para o ponto de ônibus pela manhã ou simplesmente estará no portão quando eu chegar cansada do trabalho já me são de um alento grande, mas tão grande, que chega a arrancar lágrimas dos olhos – é, eu realmente choro demais. E só de lembrar que ele desceu a rua com os braços abertos para me abraçar, eu já ganhei o dia, a semana, o mês...o ano!
Como foi bom saber que aquele homem maravilhoso apontou na esquina, no centro da cidade, apenas para dizer que sentiu falta da filha mais mal criada e resmungona que ele tinha!
Amanda Campos
Nenhum comentário:
Postar um comentário