terça-feira, 8 de junho de 2010

Musicalidade


Se eu morasse aqui pertinho

Se eu morasse aqui pertinho nega/Todo dia eu ia te ver/Lhe trazer um pá de cheiro nega/Pra derramar em você/Pegue seu vestido novo nega/Vamo, vesti antes de chove/Vesti seu vestido logo nega/Se tirar me da prazer/Quando chego no riacho/Vou metendo a mão por baixo/Procurando um girassol/E dançando um belo xote/Dando um cheiro no cangote/Por baixo do lençol/Ja se foi a lua-cheia/Ja é meia-noite e meia/
Ate logo ate mais ver/Se eu morasse aqui pertinho nega/Todo dia eu vinha te ver/Se eu morasse aqui pertinho nega/Todo dia eu vinha te ver

Compositor: Targino Gondim

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Musicalidade


Temos rotas a seguir / Podemos ir daqui pro mundo / Mas quero ficar porque quero mergulhar mais fundo/ Só de me encontrar com seu olhar já muda tudo/ Posso respirar você, posso te enxergar no escuro/ Tem muito tempo na estrada, muito tem / E como quem não quer nada, você vem/ Depois da onda pesada, a onda e zen/ É namorar na almofada e dormir bem / Foi o teu olhar o que me encantou/ Quero um pouco mais desse teu amor.

Teu Olhar – Seu Jorge

Croniquinha


O cara

Quando eu olho pro tamanho das coxas ou a largura dos ombros eu já sei: vai tudo dar errado de novo. Mas aí, ao invés de simplesmente me deixar ansiosa esperando, ele chega sempre a tempo, me olha nos olhos e elogia meu olhar. Pô, assim não dá. Você nem é “tudo isso” para ser o cara certo, vai.

Vamos combinar umas coisas? Chega de dizer que você me ama de um jeito que eu nem imagino. E para com essa história de que tudo vai dar certo. Detesto quando você diz que meu sorriso lhe faz um homem mais feliz. E não faça planos sobre os três filhos que quer ter. Colabora, cara. Você ainda não colocou na cabeça que só vai me ganhar quando não fizer nada para me ter?


De novo...lá vem você me apertar com essas mãos grandes e dizer que meus cachos armados são lindos. E que você tentou me ligar mais cinco vezes depois que desliguei na sua cara (sem você ter feito nada, é claro). Para de chamar meus pais de “tio” e de pedir meus dedos emprestados para conseguir dormir direito, hein?

Veja se tem cabimento um homem grande como aquele, moreno, sarado, bonitão e com várias cuecas boxers pretas não olhar pro lado enquanto passa a enfermeira mais peituda do mundo! Com tanto potencial pra acabar comigo, sabe o que ele quer? Simplesmente me fazer feliz. Eu sei, eu sei: DES-GRA-ÇA!

Daí a gente passa pela morena malhada de fio dental e ele lá, querendo pegar meu nariz. O celular dele toca, mas o cara demora tempo demais até se desvencilhar das minhas pernas e não atende a ligação. Poxa, um safanão no meu rosto e eu desmontaria inteira, mas o moço adora me fazer carinho no alto de seus 1,85m.

Sabe o que é pior? É que esse tipo de tratamento vicia. Tô aqui me achando. Agora não deixo neguinho me tratar mal. Dei de achar que mereço coisa muito maior do que uma frase não dita. Tem cabimento uma coisa dessas? Tanto tempo servindo de capacho, feliz da vida, e aí chega um desavisado com aquela coxa incrível e muda tudo. Nem o metrô lotado me estressa mais. E agora? Tem efeito reversível pra esse mal?

Esses dias quase que ele me trata mal. Foi por um triz. Até respirei fundo, achei que aquele homem "de mentira" sairia de seu pedestal. Vai meu amigo, atende o telefonema de uma vagabunda. Boceja enquanto eu falo do meu dia. Me faz esperar na linha enquanto você resolve um “pepino” no trabalho. Mas, ao invés disso, ele simplesmente chutou a parede após saber que um ex me ligou. E pronto. A raiva passou e lá me vem ele com aquele papo chato de que eu sou sua "vida". Eita homem pra me beijar. Coisa chata.

O cara deve ter distúrbios. Quer me acompanhar em tudo que é lugar. Mergulha comigo quando o dia tá nublado. Vai no barzinho que detesta só pra me ver sorrir. Fica me olhando enquanto eu durmo. Isso quando não me faz 2 mil elogios durante o abraço ou chora comigo quando alguem diz que namoro a distância é irreal. Agora, como é que eu vou sofrer numa situação dessas? Como?

A pele está aqui, um pêssego. Ando rindo que nem maluca por aí. Minha gata nem sai mais do tapete em frente ao box do banheiro enquanto eu canto. Já se acostumou com o barulho, de tão repetitivo. Alguém pode me ajudar? Existe tratamento para tentar ser infeliz? Outro dia disse que o intercâmbio vai nos separar por longos meses. Mas o desgraçado disse que tem a vida inteira pra esperar.

Amanda Campos

terça-feira, 1 de junho de 2010

Croniquinha


Depois que fiz as malas

Depois que arrumei as malas, o mundo inteiro me sorriu. E assim como a bagagem, me senti inteiramente pronta para conhecer outros lugares e reencontrar pessoas. Nesse breve momento entre dobrar as roupas e decidir quais iriam comigo, percebi que a alegria e paz eram tudo o que a vida queria me mostrar e, sem querer ver, amarguei uns maus bocados.

Pela parede do quarto, junto ao mural de fotos atualizadíssimo, observei cada rosto nas imagens e, repentinamente, fui tomada por um acesso de alívio grande, quase triste. Sabe aquela pontinha de descontentamento que às vezes nos toma na manhã de segunda-feira?

Após colocar a bagagem no canto do quarto, talvez tenha aprendido uma nova filosofia de vida. Ainda não sei se existe algo mágico em se colocar para fora de casa por alguns dias, mas ando carregando comigo um sentimento genuinamente brilhante desde o dia em que comprei aquelas passagens.

Separei vestidos, saias, shorts, blusas e calças. Separei também meu melhor sorriso, meu olhar mais observador e abri o coração para caber, em um único músculo, os sentimentos mais bonitos. Juntei e coloquei tudo no cantinho perto da sacola de sapatos ali, embaixo da escrivaninha, e decidi estar preparada para tomar banho de mar, dançar, caminhar ou simplesmente sentar na calçada e tomar um delicioso sorvete de coco (se os de lá forem melhores do que os daqui, claro)

Me olhando no espelho, percebi que as olheiras roxeadas sumiram há algum tempo e enxerguei, finalmente, o brilho que tanto as minhas amigas falavam em meu cabelo – Michele, Ana, Renata, Suzi, Barbara, Mara, amo vocês!

Observando meu reflexo, cheio de presilhas com flores, reparei que não preciso mais de revista, terapeuta, e-mails e livros de auto-ajuda para entender o valor que tenho. Hoje eu mesma consigo compreender, de uma vez por todas, o que tantas pessoas andaram me falando nos últimos tempos: por trás do ar de menina, existe SIM uma mulher forte. E esse não é um defeito que precisa ser administrado: é minha maior qualidade.

Acreditar nas pessoas, nas coisas e acima de tudo, em mim mesma, já não é uma ação “fora do comum”. E precisei me afastar das pessoas e do que era supérfluo para entender isso. Entender que dentro de mim mora uma força inesgotável de coisas boas (será que já posso escrever um livro sobre o assunto?!). E foda-se quem pensa o contrário!

Depois de tantos porres, crises de existência, litros de lágrimas e pesadelos, passar uma borracha no passado e fechar o zíper da mala nem é tão difícil assim. E aí, quando a gente menos espera, numa terça-feira chuvosa e fria, quando torce o pé enquanto atravessa o posto de gasolina cheio de frentistas ou vê os mecânicos correrem até a calçada para te chamarem de “princesa”, alguém olha para você no meio do expediente e menciona, em alto e bom som, como o simples fato de você sorrir torna o dia dos outros mais feliz.

Amanda Campos