Em equilíbrioAndo numa fase tão equilibrada, tão completamente serena que ando estranhando a ausência de nós em meu peito. Claro que uma vida assim tão leve reflete na balança da farmácia e menos na atualização do blog, mas ainda assim, resolvi dar uma pausa na correria do meu dia para refletir sobre a vida.
Talvez seja porque eu descobri que minha mãe já está comprando cremes, perfumes e xampus para a viagem (faltam sete meses!), ou porque eu sei que amo John Mayer e seus solos de guitarra, decidi que hoje é o dia ideal para fazer um balanço da minha vida.
Eu descobri que sou ansiosa. Descobri que preciso controlar meus nervos, ou eles me controlarão num futuro próximo. E com pulso de ferro. Percebi que meus dias de alegria, instalados desde o último dia 11 de outubro, já me tiraram uns gramas. Sabe, a gente passa tanto tempo pensando em uma coisa que esquece da vida que vibra lá fora. E to muito afim de curtir com ela.
Tá, confesso que ainda acho legal lembrar de você. Às vezes, quando subo as escadas rolantes do metrô, respiro aliviada porque acho que superei, que me acostumei com a sua ausência. É até divertido ficar sozinha. Mas basta ver uma mochila parecida com a sua ou um cabelo masculino meio “armado” para sentir o coração vibrar e o estômago, retorcer. Mas ainda acho perfeitamente normal lembrar com carinho que você sempre dava sempre um jeito de me mandar mensagens ou e-mails. Fosse o dia mais feio ou o mais bonito. Era como se dissesse, sem querer dizer, que você sempre estaria ao meu lado.
Também me faz bem lembrar que você quase nunca se alterava. E que as vezes que te vi nervoso foi quando alguém era "deselegante" comigo. Fosse um cara seboso que não tirava os olhos da minha bunda na estação, o motorista folgado que fumava dentro do ônibus ou o pastor que pregava na esquina, olhando feio para o meu decote. E eu achava aquilo tão bonito...eu tenho saudades de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade: seu jeito responsável de ser.
Você me dizia que eu era briguenta demais, mas que adorava meu jeito "esquentadinha" de ser. E me pedia para ser sempre a mesma, ainda que aquele pedido nos remetesse a brigas na balada, no trânsito ou na minha casa. E assim nós seguimos. Tão parecidos em alguns aspectos, tão diferentes na maioria dos outros. Mas numa coisa a gente sempre concordava: ninguém se amava mais e tão intensamente quanto nós dois. E o engraçado era que a gente topava as coisas mais malucas, como ficar se amassando no sofá da minha sala enquanto o pessoal conversava na cozinha ou ficar falando besteira ao telefone até a madrugada.
Eu tenho saudades de tudo. Da gente acordar descabelado, com os dedos doloridos de tanto ficar entrelaçado um ao outro. De rir de coisas bestas, do seu carro, da sua paciência em aturar meus momentos de chatice. Mas esse não é mais um sentimento egoísta. Eu tô lutando para deixar o egoísmo de lado. É apenas saudade. A velha e, agora, boa saudade...
Amanda Campos