
O cara
Quando eu olho pro tamanho das coxas ou a largura dos ombros eu já sei: vai tudo dar errado de novo. Mas aí, ao invés de simplesmente me deixar ansiosa esperando, ele chega sempre a tempo, me olha nos olhos e elogia meu olhar. Pô, assim não dá. Você nem é “tudo isso” para ser o cara certo, vai.
Vamos combinar umas coisas? Chega de dizer que você me ama de um jeito que eu nem imagino. E para com essa história de que tudo vai dar certo. Detesto quando você diz que meu sorriso lhe faz um homem mais feliz. E não faça planos sobre os três filhos que quer ter. Colabora, cara. Você ainda não colocou na cabeça que só vai me ganhar quando não fizer nada para me ter?
De novo...lá vem você me apertar com essas mãos grandes e dizer que meus cachos armados são lindos. E que você tentou me ligar mais cinco vezes depois que desliguei na sua cara (sem você ter feito nada, é claro). Para de chamar meus pais de “tio” e de pedir meus dedos emprestados para conseguir dormir direito, hein?
Veja se tem cabimento um homem grande como aquele, moreno, sarado, bonitão e com várias cuecas boxers pretas não olhar pro lado enquanto passa a enfermeira mais peituda do mundo! Com tanto potencial pra acabar comigo, sabe o que ele quer? Simplesmente me fazer feliz. Eu sei, eu sei: DES-GRA-ÇA!
Daí a gente passa pela morena malhada de fio dental e ele lá, querendo pegar meu nariz. O celular dele toca, mas o cara demora tempo demais até se desvencilhar das minhas pernas e não atende a ligação. Poxa, um safanão no meu rosto e eu desmontaria inteira, mas o moço adora me fazer carinho no alto de seus 1,85m.
Sabe o que é pior? É que esse tipo de tratamento vicia. Tô aqui me achando. Agora não deixo neguinho me tratar mal. Dei de achar que mereço coisa muito maior do que uma frase não dita. Tem cabimento uma coisa dessas? Tanto tempo servindo de capacho, feliz da vida, e aí chega um desavisado com aquela coxa incrível e muda tudo. Nem o metrô lotado me estressa mais. E agora? Tem efeito reversível pra esse mal?
Esses dias quase que ele me trata mal. Foi por um triz. Até respirei fundo, achei que aquele homem "de mentira" sairia de seu pedestal. Vai meu amigo, atende o telefonema de uma vagabunda. Boceja enquanto eu falo do meu dia. Me faz esperar na linha enquanto você resolve um “pepino” no trabalho. Mas, ao invés disso, ele simplesmente chutou a parede após saber que um ex me ligou. E pronto. A raiva passou e lá me vem ele com aquele papo chato de que eu sou sua "vida". Eita homem pra me beijar. Coisa chata.
O cara deve ter distúrbios. Quer me acompanhar em tudo que é lugar. Mergulha comigo quando o dia tá nublado. Vai no barzinho que detesta só pra me ver sorrir. Fica me olhando enquanto eu durmo. Isso quando não me faz 2 mil elogios durante o abraço ou chora comigo quando alguem diz que namoro a distância é irreal. Agora, como é que eu vou sofrer numa situação dessas? Como?
A pele está aqui, um pêssego. Ando rindo que nem maluca por aí. Minha gata nem sai mais do tapete em frente ao box do banheiro enquanto eu canto. Já se acostumou com o barulho, de tão repetitivo. Alguém pode me ajudar? Existe tratamento para tentar ser infeliz? Outro dia disse que o intercâmbio vai nos separar por longos meses. Mas o desgraçado disse que tem a vida inteira pra esperar.
Amanda Campos
Já disse q me emocionei lendo isso?!?
ResponderExcluirMTO bom msm! (=