segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Textualizando


"(...) Minha vontade é que ele me pergunte se quero um pouco de chá gelado e se eu gostaria de ver um dos seus filmes estirada nas grandes almofadas... Eu mais uma vez me pergunto como é mesmo que se faz a coisa mais profunda do mundo com total superficialidade. Como é que se ama sem amor? Como é que se entrega de dentro de uma prisão? Nunca soube."

Tati Bernardi

Textualizando


"(...) Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava.
Digo o senhor: como um feitiço?
Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego”.

Grande sertão: veredas (1956), de João Guimarães Rosa

sábado, 20 de novembro de 2010

Musicalidade


"To see you when I wake up/Is a gift i didn't think could be real/To know that you feel the same as I do/Is a three-fold, utopian dream/You do something to me that i can't explain/So would I be out of line if i said 'I miss you'?/I see your picture/I smell your skin on/The empty pillow next to mine/You have only been gone ten days/But already i'm wasting away/I know I'll see you again/Whether far or soon/But i need you to know that i care/And i miss you"

Incubus - I miss you

Textualizando


"Vai, minha tristeza, e diz a ele
Que sem ele não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ele regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade é que sem ele
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai"

Vinicius de Moraes

Textualizando


"(...) Meio sem assunto e sem nem saber direito por quê, ele perguntou assim:
- Como vai?
Ela disse:
- Legal e você?
- Tempo, faz tanto tempo, repetem - esquece.
Continuam a dizer coisas que eles não entendem.
- Não, não quero nem preciso nada se você me tocar. Estendo a mão.A maioria das pessoas que conheço vive muito desatenta de estar vivendo:elas parecem tão acostumadas com as coisas que estão em volta que é como se estivessem dormindo. Tem gente maravilhosa que, de repente, vai ficando longe, difícil de ver, e aí dança. Mas também acho que aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante - coisa ou pessoa - na sua vida, isso não se perde. E aí lembro de Guimarães Rosa, quando dizia que 'o que tem de ser tem muita força'".

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Textualizando


"A verdade é que, enquanto você estiver assim, nessa interminável agonia, esperando notícias que nunca chegam, vai deixar passar várias possibilidades interessantes ao seu redor. Claro, ninguém se compara a quem você aguarda, mas quem você aguarda não está disponível no momento. Poderá, inclusive, nunca estar, apesar de tudo o que foi dito naquele dia. Pessoas que somem não são confiáveis.”

Fernanda Young.

Croniquinha


Mudar é preciso

Não adianta se esconder. Seja embaixo da cama, no telhado do vizinho ou do outro lado do oceano, as mudanças sempre vão nos agarrar pelos tornozelos. E sim, vão revirar nossas vidas. Não, não estou dizendo que esse processo é indolor. Muito pelo contrário.

Como acontece com todas aquelas pessoas que vagam tristes pelas ruas de São Paulo ou enxugam suas lágrimas no metrô, eu também já senti um nó grande no peito. Uma dor que martelava minha cabeça e outros órgãos vitais. Já cheguei a pensar que nunca mais conseguiria rir novamente. E mais de uma vez. Mas olha que coisa incrível: consegui juntar meus pedaços. E estou sorrindo outra vez.

Acredito que o mais difícil nessa etapa toda é se permitir recomeçar. A gente gosta de um drama, de sofrer por amor. Soa até poético. Mas os dramas de nossa vida nos deixam adoentados. Nem sabemos por qual parte do corpo devemos movimentar primeiro para encontrar uma nova direção. Só o que sei é que fazer uma tentativa já é o bastante para levantar. Fora o susto que a gente toma. Essa tal de mudança chega de repente e nos coloca deitados numa outra direção.

Quando a coisa vem com muita gana então, dói mesmo. E a gente só precisa de um tempo para recuperar o fôlego. E voltar a caminhar. A boa notícia é que o tempo passa. E como já disse o poeta, ele ainda é o senhor da razão. A saudade some. O ar volta. É quase um milagre da natureza. E aí a gente entra de novo naquela discussão sobre o poder que a alma tem de trabalhar em nosso favor. E nos mostrar as belezas do caminho.

Amanda Campos

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Textualizando


“É uma benção inestimável receber amor. Mas quando a gente dói, precisa cuidar da própria dor com o carinho com que gostaríamos de ser cuidados pelos outros. Com a atenção e a suavidade com que tantas vezes cuidamos de outras vidas. Os beijos bons precisam começar em nós.”

Ana Jácomo

Textualizando


"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."

Caio Fernando Abreu

Croniquinha



Ser sensível a


De acordo com definição do dicionário Aurélio, a palavra “sentir” significa 1. Perceber por meio de qualquer órgão dos sentidos. 2. Experimentar (sensação física ou moral, ou sentimento, emoção) 3. Ser sensível a. Para uma palavra tão pequena, até que os significados são bem grandes. Tão grandes quanto a intensidade do verbo. Sentir alegria, sentir prazer, sentir tristeza. Tá, a tristeza não é lá uma das melhores sensações.

Entristecer é difícil. E é difícil porque querem que acreditemos num padrão de vida afinado aos comerciais de televisão, festas movimentadas. Mas nós também somos feitos de ausência, dor. Claro que momentâneas. Até a tristeza passa. Acredite. Eu sei, eu sei. Essa palavra “passa” é uma navalha, cortando cada pedacinho da nossa pele. Incomoda, machuca. Mas é a verdade. Porque somos mutáveis. E passa.

Olhe para o seu lado direito. Veja a rua movimentada. Buzinas, vizinhos. Vivemos numa sociedade em que o trabalho, e não os sentimentos do outro, é prioridade. Seu coração está aí, dilacerado, mas você não tem tempo para concertar. Portanto, anda. Levanta da cadeira e se tranque no quarto. Viva esse sentimento. Você nem imagina como é sortuda por ainda ter essa opção.

Sei, pode parecer confuso, mas você é uma sortuda por sentir o que quer que seja. Vivemos numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam para pegar tênis ou para se auto-afirmarem. Portanto, sentir alguma coisa remexendo no estômago ainda é uma dádiva em meio ao caos.

Este mundo não aceita mais uma pessoa triste. Veja aí na televisão. Algo além de sorriso? Não. Tristeza parece doença, credo. Tá, eu sei que esse sentimento não faz bem a saúde, mas estar triste também é um sentimento e deve ser sentido. Nos tornamos melhores quando silenciamos e olhamos para dentro. Quando percebemos a resposta que as lágrimas trazem. E entendemos que delas saem a luz dessa escuridão toda.

Hei, o que aconteceu com você? Você acha mesmo que roubaram a sua alegria? Não. Não faça isso. Você aí, tanto tempo esperando por essa primavera. Até que ela veio e já passou. Mas ainda há tantas outras estações lindas num único ano. O mundo continua a girar. As pessoas ainda vêm e vão. E no meio dessa enxurrada de sentimentos, vai lhe restar um tronco para se agarrar. Portanto, basta ser forte. E chore todas as suas dores de uma vez só. Porque a noite que se instalou na sua vida está louca para amanhecer novamente.


Amanda Campos

Musicalidade


"Don't Get Me Wrong/If I'm looking kind of dazzled/I see neon lights/Whenever you walk by/Don't get me wrong/If you say hello and I take a ride/Upon a sea where the mystic moon/Is playing havoc with the tide/Don't get me wrong/Don't get me wrong/if I'm acting so distracted/I'm thinking about the fireworks/that go off when you smile/
Don't get me wrong/if I split like light refracted/I'm only off to wander/across a moolit mile/Once a while/two people meet/seemingly for no reason/they just pass on the street/Suddenly thunder showers everywhere/who can explain the thunder and rain
but there's something in the air/Don't get me wrong/if I come and go like fashion/i might be great tomorrow but hopeless yesterday/Don't get me wrong/if i fall in the mode of fashion/it might be unbelievable/but let's not say so long/it might just be fantastic/don't get me wrong"


Don't Get Me Wrong - The Pretenders
Composição: Chrissie Hynde

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Textualizando


"Um coração insensato, que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar. Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras(...), um velho coração que convence seu usuário a publicar segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta."

Clarice Lispector

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Textualizando


"Penso em você apesar de não sentir sua falta e muito menos sua presença. Penso em você porque sinto um vazio, que eu não sei do quê e nem por quê. Revelo então, mais uma vez, minha estupidez, já que não é você quem vai me salvar e nem muito menos me catapultar pra uma dimensão mais tranquila e menos ansiosa de coisas que não têm nome."

Caio Fernando Abreu

Textualizando


"Eu queria arrancar o romantismo de dentro de mim. Queria que meus anticorpos se tocassem e partissem para o combate contra todo esse blá blá blá de amor. Cansei de esperar a declaração de alguém como nos filmes e livros. Ninguém está esperando pra me dizer que me amou a vida toda. Cansei de me apaixonar por olhos piedosos, de viver a espera de alguém que talvez nem exista. Cansei!"

Verônica H.

Croniquinha


Desperta, Divino!

Andei pensando muito sobre religião ultimamente. Pensando principalmente nas interfaces de Deus em cada uma delas. E mesmo sem ter me encontrado ainda nesse (e outros) aspecto, converso com Ele em vários momentos do meu dia. No metrô, em minha cama, no banheiro do trabalho. Já se tornou um ritual.

Não dizem que fé quando não se tem se inventa? Então. Já inventei a minha. E por diversas vezes. Mas ainda assim, analisei alguns fatos e acho que Deus anda distraído. Não, não estou blasfemando contra o Criador. De forma alguma. Só resolvi escrever este texto para obter mais atenção. Passou da hora de chama-lo para algumas coisas importantes sob meu ponto de vista.

Senhor, quero Lhe pedir um olhar bastante especial sobre o planeta Terra. Especialmente sobre o mendigo que acabei de ver dormindo próximo ao Palestra Itália, aqui na Barra Funda (ali ainda é Barra Funda?). Uma outra olhada generosa, por favor, para as garotas “encoxadas” em todos os transportes públicos - isso deve acontecer em vários lugares, não apenas em São Paulo. Queria também, Deus, que o Senhor derramasse proteção extra aos cachorros sarnentos das grandes metrópoles. Que os pneus do carro derrapem ao tentar pegá-los nas estradas e rodovias. Olha piedosamente para os casais que buscam sentido às relações já terminadas. Dá força à eles.

Deus, olha com amor os solteiros que ainda esperam, com todo o coração, ter de volta amores do passado. Que as distâncias caiam por terra. E os momentos bons se multipliquem no lugar de lágrimas. Derrama também teu olho sobre as crianças criadas em lares gélidos pela ausência dos raios de sol. Ou do amor. Afasta as mãos pesadas de seus castigadores. Ilumina ainda o dia dos funcionários que atuam em ambientes corporativos “pesados”. Não deixe que eles se transformem em seres humanos tão humanos quanto uma mesa de mármore.

Passeia teu olhar pela cidade suja, Deus. Pousa Tua mão sobre a cabeça daquele que compra veneno de rato. E para os que buscam conforto nas linhas do CVV. Olha bem para o rapaz que, vagando sem rumo pela cidade à noite, canta Roberto Carlos com a voz triste. E chora de saudade. Coloca suas mãos sobre a vida das garotas que pagam aluguel e a educação dos filhos vendendo seus corpos ou dançando nua nos balcões dos bares mais sujos da Lapa. Cuida das esposas infelizes que desejavam ser poderosas mulheres de negócios, mas que por uma infelicidade da vida, não conseguiram concretizar o sonho. Olha pelo cantor do barzinho da Sé, que roda a metrópole com seu violão nas costas. Pelos homens que rasgam lixo em busca de um pão esfarelado.

Deita teu perdão sobre os usuários de drogas da cracolândia. Os habitantes das favelas, tão discriminados e marginalizados pela sociedade do asfalto. Põe Teu olhar mais bondoso sobre os homossexuais, discriminados pelo amor – ou falta dele. Mas sobre as pessoas más, mentirosas, derrama tua mão impiedosa, Senhor. Protege a humanidade. Venda os estupradores, oportunistas e bandidos. Já para nós, que nos esforçamos diariamente para obter algum alento, envia teu espírito luminoso. Sorri para os idosos no asilo. Põe uma luz na vida das pessoas agredidas pelos pais, filhos e outros tantos marginais. Sorri para mim, Senhor. E desperta.

Amanda Campos

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Textualizando


"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca".

Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.

Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.

Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.

Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.

Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ..."

C.F.A

Musicalidade


"Lábia que adoça a boca de mulher/Dom de mulher/Que os homens têm/Palavras de virar cabeça/Meu amado vai usar/Palavras como se elas fossem mãos/Tantos rodeios/Pra enfim me roubar/Coisas que dele já são"

Chico Buarque

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Textualizando


"Nunca, jamais diga o que sente. Por mais que doa, por mais que te faça feliz. Quando sentir algo muito forte, peça um drink."

Caio Fernando Abreu

Musicalidade


"Oh where, oh where, can my baby be?/The Lord took her away from me/She's gone to heaven so I've got to be good/So I can see my baby when/I leave this world/We were out on a date in my daddy's car/We hadn't driven very far/There in the road straight ahead/A car was stalled, the engine was dead/I couldn't stop, so I swerved to the right/I'll never forget the sound that night/The screaming tires, the busting glass/The painful scream that I heard last/Oh where, oh where, can my baby be?/The Lord took her away from me/She's gone to heaven so I've got to be good/So I can see my baby when I leave this world/When I woke up, the rain was pouring down/There were people standing all around/Something warm flowing through my eyes/But somehow I found my baby that night/I lifted her head, she looked at me and said/"Hold me darling just a little while."/I held her close I kissed her - our last kiss/I found the love that I knew I had missed/Well now she's gone even though I hold her tight/I lost my love, my life that night/Oh where, oh where, can my baby be?/The Lord took her away from me/She's gone to heaven so I've got to be good/So I can see my baby when I leave this world."


Last Kiss - Pearl Jam
Composição: Wayne Cochran

Imagine




Crescer e não esquecer!

Textualizando


"Não tenha medo que o tempo possa gerar esquecimento. As pessoas nunca esquecem a intensidade do que você as fez sentir."

Desconhecido

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Croniquinha



Com todo o coração

Não vou te contar sobre as minhas lutas mentais diárias para não ir atrás de você. Para você só quero ser simples e leve, e não intensa e emotiva. Isso assusta as pessoas e a última coisa que quero é te afastar. Não vou ficar aqui falando sobre a complexidade dos meus pensamentos e emoções em relação ao mundo. Isso me cansa às vezes. Pra você, quero deixar a melhor parte. Ofereço meu bom humor e o meu coração.

Hoje eu esperava um monte de coisas. Eu desejava um e-mail grandioso. Eu esperava uma ligação confiante. Um SMS. Mas fiquei feliz em ver que você ainda lembra. E que não precisou entrar no Orkut para saber o dia em que nasci. Se tudo tivesse sido diferente e você tivesse chegado antes em minha vida eu não teria notado. Como não notei da primeira vez. Se demorasse um pouco mais, eu não te esperaria. Você acertou em cheio. Acertou em muita coisa.

Meu futuro é de incertezas. Não há nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas você estaria disposto a encarar o mundo para me segurar nos braços? Ainda posso te fazer feliz. É um risco que você precisa analisar. Eu pulo, se você me der a mão.

Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequena neste mundo. Nem que eu faço coisas idiotas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. Você certamente vai ficar na dúvida se este texto é teu. E não pense que é falta de consideração minha dividir tanto da gente. É só minha maneira de administrar sentimentos.

Hoje o dia foi meu. Eu ganhei declaração no nick do MSN, recebi flores, perfume, botas. Milhares de saudações, depoimentos, e-mails e ligações. Não sei se seria idiota demais da minha parte, mas eu certamente trocaria tudo isso por um abraço carinhoso seu. Por um abraço com todo o seu coração.


Amanda Campos

Imagine...

Musicalidade


"Pardon the way that I stare/there's nothing else to compare/the sight of you leaves me weak/there are no words left to speak/but if you feel like I feel/please let me know that it's real/you're just too good to be true/can't take my eyes off of you"

Can't Take My Eyes Off Of You - Lauryn Hill

Textualizando


"A realidade irrita.

A realidade é um bêbado jogado no chão, até que alguém bata na minha porta e prove o contrário. É a unha que descascou logo que você saiu do salão, toda feliz. É o barulho [insuportável] do telefone quando está descarregado.A realidade irrita.

Irrita porque está ali na sua cara e muitas vezes você não quer ver ou vê coisas que não condizem com a sua concepção de realidade. Porque querendo ou não, a realidade é carne crua. Tem dias que eu visto minha fantasia de otária. Não é nada além de um kit composto de um sorriso de largura sete cm e um olhar como se alguém tivesse jogado um tubinho de purpurina em você. Aquela coisa meio...hã...hiperbolicamente brilhante. E quer saber? É uma merda.

Dá vontade de mandar meia dúzia de gente tomar no cu e correr pra casa chorando, se trancar no quarto pra tomar um toddy e jogar nintendo até ficar vesga. Isso de escolher qual cara eu vou vestir hoje. Sempre. Entenda. Pego ônibus as sete e dez e digo olá-árvores. Olá-pássaros. Olá-universitário-que-não-lavou-o-rosto- E por aí vai. Aquele jogo de sorrisos. O dia todo. Todos os dias. O ônibus que eu pego está sempre lotado de seres que moram em um mundo onde aparentemente não se vende desodorante. A escola fica todos os anos a dez quilômetros do local onde foi erguida. Minha sobrancelha está mal feita.

É, eu confesso que não é exatamente a realidade que eu esperava encontrar. [A realidade que eu mais gosto está longe, bem longe. Eu e você, pãezinhos com requeijão, lençol bagunçado sobre a cama, luz entrando pela janela, coca-cola com gelo e limão.]

Talvez isso mude. Talvez você entre na minha vida sem tocar a campainha e me sequestre de uma vez. Talvez você pule esses três ou quatro muros que nos separam e segure a minha mão, assim, ofegante, pra nunca mais soltar. Talvez você ainda possa pular no rio e me salvar. Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Porque no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia."

C.F.A.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Imagine...

Textualizando


"Moro num lugar (...) onde se chora mais que o volume das águas denominadas mar, para onde levam os rios outro tanto de lágrimas."

Adelia Prado

Textualizando


"Tenho profunda piedade dos animais, que são tão impotentes quanto os pobres."

Cacilda Becker

Croniquinha


Fora de lugar

Como naqueles pesadelos em que você está caindo e não tem onde segurar, a recaída de amor acontece, desesperadamente e sem querer. De uma hora para a outra, no meio da tarde. Você está lá, sentada no sofá assistindo a um bom filme e se toca: preciso saber! E começa o debate entre você e você mesma. Mas eu já estava bem há semanas. Olhe para o filme, veja que graça os cachorrinhos. Mas não nos falamos há séculos! Eu sei, eu sei. Mas ele não tem nada a ver com você. É petulante, bobo, medroso. Não deu certo. Mas eu preciso saber. Não, não precisa. Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto e subo as escadas correndo.

Ah o Orkut. Tanto tempo para me desinfetar dessa desgraça e lá estão as palavras novamente, piscando para mim. Digito o nome dele. Aparece a foto do perfil. E está tão bonito. Vamos ver. Ele não posta nada há meses, não há recados exclusivos. Que droga! Jogo o nome dele no Google. Aparecem trabalhos, perfis profissionais. Tento o Twitter, mas não há nada. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade para o trabalho estaria rica. Estou motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso tanto saber.

São dez da noite. Estou cansada. Lembro das vezes em que eu olhava o Orkut da sua máquina e você reclamava. Queria atenção total. Ok, agora estou chorando. Lembrei que eu me sentia tão viva com você me olhando bem no fundo dos olhos e me beijava daquele jeito intenso. Sim, é definitivamente uma recaída e eu acabo de decidir que te amo mais que tudo no universo e que amanhã, ou hoje, porque ainda são dez da noite, vou resolver isso. Agora preciso dormir.

Vou pra cama. Coração disparado. Não tem posição. O que eu faço? Não tô a fim de ler, não tô a fim de ver TV. Minha imaginação está a mil, traçando planos mirabolantes para que eu descubra a verdade. Mas a verdade d quê? Não sei, mas sei que algo está acontecendo, ou eu não estaria assim. Porque eu sinto quando ele está com alguém, sabe? Eu sinto.

Começo a ligar para algumas amigas. “Você acha que ele está com alguém?” Não sei Amanda, to me arrumando pra sair. Posso te ligar amanhã? “Você acha que ele está com alguém?” Mudando de assunto, Amanda, vamos ao cinema amanhã? Estreou aquele filme de suspense... “Mas você acha que ele está com alguém?” Putz, sei lá, homem sempre tá comendo alguém né? “Então você acha que ele está com alguém?!” Do jeito que ele gosta de você? Claro que não!

Chega, chega. Preciso me acalmar. Pra que isso? Se ele estiver com alguém agora, e daí? Ele e eu não temos nada a ver, certo? Decidimos que era melhor assim. É tão bom quando estamos juntos e tal. Aliás, meu Deus, como eram bons esses momentos. Chega. Adulta, adulta. Qual o problema se ele estiver agora, justamente agora, dormindo abraçado a alguma vagabunda? Qual o problema? Ok, eu posso conviver com isso. Eu definitivamente posso conviver. Chega, vou acabar com essa palhaçada agora mesmo. Não posso mais conviver com isso!

Tomo banho, me visto, pego a bolsa, entro no carro e saio. Tá certo que o meu destino é alguma balada em São Paulo, mas me faz bem enganar o cérebro e fazer de conta que estou indo atrás dele. Na verdade, vou só fazer qualquer coisa que não seja sofrer, mas não consigo. Volto pra casa de manhã destruída. Sinto tanto amor dentro de mim que posso suspirar bolhas de corações e posso inundar a estação Sé do metrô. Quase não consigo respirar.

Chega, chega. Ligo pra ele. Ele não atende. Ligo de novo. Ele atende, falando baixinho. Você está com alguém? Não. Desligamos. Pronto, agora eu já sei. Depois de um final de semana inteiro de palpitações, músicas, textos, amigos, danças, gritos, choros. Agora eu já sei. E daí? Muda o que?


Amanda Campos