quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Imagine

Croniquinha


Do que ELES gostam...


Sabe aquele tipo de mulher que fala o que pensa, abre a casa, a alma e o coração para um homem? Pois é. Eles não gostam. Acredito que 95% dos caras não gostam desse gênero mais "seguro" de mulher. E eu sou exatamente desse tipo. Do tipo que, ao menor sinal de luz no fim do poço, emana todo o tipo de iluminação disponível, até provocar taquicardia no outro.

Homem gosta mesmo é de mulher sonsa. Cai matando sobre àquelas tapadinhas que fingem ser os seres humanos mais angelicais do mundo. Tá lá acordada às 4 da manhã revoltada enquanto o marmanjão não chega da balada com os amigos.

Mas quem disse que reclama de alguma coisa? Imagina! “Homem não gosta de mulher que pega no pé” é o que elas dizem. O cara não pode te ver no final de semana? Ah, não tem problema, né? O amor é feito de obstáculos.

Eu considero essas situações bizarrisses. E isso é uma merda para a minha vida amorosa. Eu sou daquele estilo de mulher que ninguém entende. Aquela que vai acordar chorando porque você dormiu de barriga pra cima, e não de conchinha, como ela gosta. Aquele tipinho egoísta que quer ser ouvida pela opinião sobre futebol, economia e o mundo da música. Aquela raça enjoada que não diz “eu te amo” diariamente.

Talvez porque me imagino forte demais para isso, ou tenha uma visão deformada sobre o mundo, imponho meu estilo de vida e vejo no que vai dar. Abro sim as portas da minha vida à quem mostrar um pequeno interesse em me descobrir. Eu quero demais e exijo demais. Mas não sou tão má assim.

Não se esconder numa casca de ovo hoje em dia é muito corajoso. Sou mulher moderna, daquelas que não pedem permissão para sair ou não liga no dia seguinte por pura preguiça dos joguinhos.

Mas quer saber? Dane-se. Tenho certeza que este mundo também é feito dos caras que valorizam inteligência, bom humor e cultura, e não um baixo alto estima. Um dia um louco, direto da região dos 5% dos homens vive, vai aparecer e me resgatar.


Amanda Campos

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Textualizando


"Desculpa, eu sei que não faz sentido te escrever agora e já faz tempo desde que esse sentido sumiu. (…) Mas é que hoje tem tanta gente aqui e ninguém me vê… Você me viu num momento desses e é do seu olhar que eu sinto falta. Do mundo parando só pra você ser meu. (…)
Desculpa, eu sei que te incomodo ligando sem parar no seu celular pra dizer nada. Mas sua voz faz a corrida maluca do meu cérebro parar. Cura minhas náuseas da angústia de não saber. E você é tão educado, tão carinhoso. Finge que não atrapalho e pergunta se pode me ligar depois…
(…)
Eu não deixo você seguir em frente, não é?
(…)
Não desiste de mim. Por trás de tanta indecisão tem alguém que precisa de companhia mesmo fingindo que não. Tem alguém que odeia todo mundo num segundo e chora de saudades de todos no segundo seguinte. E de você principalmente. Desculpa. Eu realmente não queria ser assim pra você."


Voltas e voltas em lugar nenhum - Verônica H

Imagine

Textualizando


"É como se ela fosse um ponto de interrogação incompleto. E precisasse daquele furo que vai ao final do ponto de interrogação. O pingo final de uma dúvida que começa nela e não termina em lugar nenhum. Para ela então poder ser inteira uma dúvida. Tão inteira que completa. E sentir o mistério da vida. E não entender nada mas estar no mundo. Ser mundana. E voar."

Tati Bernardi

Imagine

Textualizando


"Ele sorriu para mim. E perguntou:
- Você vai para a Liberdade?
- Não, eu vou para o Paraíso.
Ele sentou-se ao meu lado. E disse.
- Então eu vou com você."


Onde andará Dulce Veiga? - Caio Fernando Abreu

Textualizando


"Se as pessoas estão sempre indo e vindo, eu só queria alguém minimamente eterno em sua duração, que me fizesse parar de achar normal essa história de perder as pessoas pela vida."

Só numa multidão de amores - Verônica H

Textualizando


“E outra coisa – não se esforce. Pelo menos, não tanto. Não fique ai remando contra a maré, dando murro em ponta de faca. Veja – se não fora pra ser, não vai ser. Acredite em mim. Coisa boba essa sua tentativa de ir além. E olhe, eu não estou pedindo pra você desistir não, não é isso. Eu só quero que você pense mais… que tenha argumentos melhores.”

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Croniquinha




Mais um dia


Hoje eu ouvi de novo que deveria me conter e não correr mais atrás de você. E encarei a ação como se fosse a coisa mais simples do mundo. “Segura esse coração aí, minha filha! Seja forte. Se ame, valorize...” blá blá blá. Me segurei. E descobri que não há nada mais doloroso neste mundo do que segurar os próprios instintos. Mais do que nos outros dias, hoje eu gostaria que este texto - que na verdade não é um texto, já que sou uma mulher forte o bastante para não escrever sobre isso – personificasse um abraço e beijo meu. Gostaria de escrever tanta coisa, mas nem vou.

Não quero que você saiba o quanto agradeço pela sua preocupação com as pessoas que ama, sua responsabilidade, paciência e afeto com (algumas) delas. E eu não vou dizer que gosto disso em você mais do que de todo o resto. E que SEMPRE gostei muito disso em você e que, infelizmente, ainda gosto. Esperava que você jamais duvidasse disso. E se algum dia duvidasse, como aconteceu comigo há um tempo, talvez se convencesse que eu sempre te amei dessa maneira desenfreada. Mas sincera.

Estava lembrando daquele domingo quando estávamos na sua casa, na sua cama. Você parou pra me olhar com aqueles seus olhos enormes e disse que era apaixonado por mim. Eu não consegui responder nada naquele dia. Fiquei meio tonta olhando pra você, sem saber direito se estava sonhando e me perguntando se você também ouvia o besta do meu coração pulsar tão forte que quase estremeceu o mundo.

Era mais ou menos o que acontecia comigo quando eu estava com você. Um turbilhão de sentimentos desenfreados, todos de uma vez e ao mesmo tempo. E eu sem saber lidar direito com eles. Às vezes tudo saía perfeitamente bem. Às vezes eu te chamava carinhosa e te abraçava apertado. Às vezes eu gritava, chorava e ficava extremamente irritada com você. Com a mesma intensidade. Com a mesma paixão desenfreada. Com a mesma inocência daqueles que amam sem lembrar o quanto o amor ás vezes dói.

Estamos separados e acabei percebendo diversas coisas. Entre elas, que você quase nunca se abalava. Você quase sempre era aquela pessoa calma que me pegava pela mão quando eu queria ir embora e me apertava demorado quando eu teimava em chorar no meio de uma discussão. Às vezes acho que ainda existe essa reciprocidade. Que as coisas são como naquele domingo, onde um conseguiu dizer o que sentia e o outro ficou calado, com medo. Ás vezes não. As pessoas não acreditam mais na gente. Isso me dói um bocado.

São muitas saudades. Ainda estou tentando lidar com elas da melhor maneira possível. Queria te comprar um presente. Queria fazer um cartão fofo com formas geométricas e fotos. Reunir tudo num pacotão e deixar na sua porta, mas percebi que não dá mais para eu me personificar em sua vida sem que você me abra a porta da frente. Na verdade, até comprei o presente, o pacote, o material para o cartão e pensei em cada detalhe. Mas não vou te presentear com todo o carinho que eu guardo aqui comigo. Não posso mais fazer isso comigo.

Comecei a achar que esse amor era coisa de quem não tinha nada para fazer. Eu só o sentia porque estava infeliz no meu emprego chato. Só por isso. Saí, afinal, do emprego chato. Amor é coisa de gente “firma” e agora que eu mandava na minha vida, poderia, finalmente, mandar esse amor embora. Tchau, coisinha besta.

Nada feito. Só piorou. Acordava e ia dormir com você engasgado aqui. Ficava inconformada. Mas aí concluí: amor é coisa de diabo. Fui procurar Jesus. Depois de dez cultos e de começar a ler a bíblia, achei que ficaria tudo bem. Ficou nada. Eu só parei de sonhar que botava fogo na sua casa ou que arrancava os olhos de todas as mulheres do mundo. Parei, talvez, de odiar o amor. Mas o amor, na verdade, ficou lá. Duro que nem pedra. Daqueles que não vão embora nem com reza brava.

Amor adolescente, pensei. Com certeza, se eu virar mulher, esse amor bobinho passa. Tratei de virar logo uma mulher. Quem sabe lendo livros melhores, pagando conta e refletindo sobre meus atos esse amor não se mudava de mim? Nada feito. Livros novos, eventos profissionais, novas contas pra pagar. E o mesmo coração idiota. O mesmo amor de sempre.

Aí veio a idéia brilhante. Será que se eu mergulhasse de cabeça nesse amor, não me curava? Será que se eu parasse de sentir tudo isso e enxergasse de perto como o sentimento é ridículo eu não me curava? Não. Definitivamente, só piorou. De frente para ele e suas constatações tão absurdas a respeito de tudo, só consigo sentir ainda mais amor. E quanto mais motivos para não sentir, o amor cresce.

Irresponsável. Careta. Então cansei. Taí. O amor venceu. E eu acabo de descobrir, simples assim, a única maneira de me livrar desse sentimento: aceitando ele, parando de querer ganhar dele. Amo você mesmo, e acho que pra sempre. Mas não deixo mais de viver minha vida por causa desse amor. Vá à merda, amor! E vá à merda você também!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dica


Estimado Anônimo,

Mas não qualquer anônimo. Estou falando do MEU Anônimo favorito, aquele que SEMPRE comenta minhas crônicas, lê meus textos, frases e poemas com tanto afinco. Segue uma dica simples, mas de todo o meu coração:

O termo “recalque”, muito utilizado por você em todos os seus posts (o último foi no dia 22 de setembro, às 15h, em 'croniquinha')não está corretamente colocado em sua última frase "entendo o seu recalque". Eu infelizmente tive de excluir o último comentário porque se referia nitidamente a uma terceira pessoa. Até onde eu sei, essa pessoa a quem você, querido Anônimo, se referia não manifesta sua opinião neste meu cantinho e, como manda a ética jornalística adquirida na faculdade e a boa educação que recebi de minha mãe, não posso deixar um comentário expondo tanto outra pessoa sem que ela se manifeste ou dê o aval para isso.

De acordo com o dicionário Aurélio, “reclaque” significa "recalcamento, rebaixamento de terra ou parede após uma obra ou, psicologicamente, exclusão de certas idéias e desejos do campo do pensamento". Imagino que esses não são os casos para o emprego dessa palavra, né? Imagine só “entendo o seu RECLAQUE: exclusão de certas idéias e desejos, ou talvez, seu "rebaixamento de terra ou parede após uma obra".

Nas horas vagas, por favor, pegue uma gramática, dicionário ou utilize o bom e velho Google para questões de ensino (o Uol educação é ótimo para isso). Assim, além de aumentar seu conhecimento gramatical, você ainda encontrará inúmeros outros termos, mas corretos, para se referir a mim e ao meu “constrangimento, chateação, dor, tristeza, depressão, loucura”...

Obrigada!


Amanda Campos

PS: a todos os outros "anônimos", por favor, continuem deixando seus comentários. Este blog é para vocês!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Croniquinha


Desesperador

Quando eu comi a barra de chocolate branco inteira, percebi que já havia começado. Mais tarde, na segunda, eu já queria vomitar e me veio a certeza. Conheço de longe, ou de perto, a tensão: é a vontade de comer sem ter fome. É estar inflada demais pra se saciar. Eu sei, não faz sentido e é bem bobo, mas nesses casos só passa líquido, e quando passa. É a esquizofrenia de novo. A tristeza misturada com a ansiedade.

Mas decidi que não. Que dessa vez não ia acontecer. Tudo de novo? Não mesmo. Então peguei meu celular, olhando ao redor da sala, coloquei os óculos vermelhos e, mordendo o lábio inferior, deletei seu número. Deletei as mensagens de texto também. E deletei você de tudo que me informa da sua vida e do lugar mais difícil de todos: do computador. Mas quando cheguei a esse estágio, fiquei mal. Revi seu sorriso, cabelos, olhos e deletei. E deletei o mundo. E deletei aquela nossa explosão cósmica.

E nada adiantou, ainda. Porque minha mãe comprou aquele maldito sabonete Dove que impregna na pele apesar dos perfumes e cremes que uso, e isso me lembra seu cheiro. Então eu teria que me deletar. Mas complicou ainda mais. E é por isso que escrevo isso da minha mesa do trabalho enquanto deveria terminar minha matéria sobre o especialista prussiano que descobriu a trombose venosa.

Enquanto isso, a vida ultrapassa a gente só porque esses pequenos momentos de amor nos congelam. Você dormia com uma camiseta cheirosa e era a pessoa mais bonita que eu já vi dormindo. E eu ainda tenho a sensação de sentir aqueles leves espamos que seus dedos da mão fazem quando você está pegando no sono, enquanto você me abraçava. E poucas coisas são tão claras como isso que percebo agora: você é tão bonito que eu tenho esse riso congelado no meu cérebro mesmo quando eu vejo outros sorrisos bonitos. Eu queria tanto parar com essa vidinha e ter um amor pra vida inteira. Mas...e mas, e mas, e mas.

E é isso. Agora é suspirar feito besta, vasculhar meus celulares e e-mails e parecer forte o bastante para que você não perceba o quanto eu ainda gosto de você. E como você fica, mesmo sem imaginar, desafinando meu cérebro consertando tudo dentro da minha imaginação. E eu fico contando nos dedos o tempo que falta pra eu viajar e esquecer de vez que você existe. Se é que eu vou conseguir esquecer que você e os cachos do seu cabelo existem. Você não é nada dessas coisas que a gente separa numa caixinha da mente pra continuar arrumando o resto. Então o que é? É isso: o encantamento puro com um pouco de dor, porque até a falta de dor tem muito de dor. É aquela parte incômoda e doce da minha vida. E isso ainda é desesperador.


Amanda Campos