terça-feira, 26 de outubro de 2010

Croniquinha


Mente cheia de lembranças

Meu aniversário tá chegando. E todos os dias alguém pergunta o que eu quero ganhar. Eu também me pergunto o que eu quero ganhar. Mas sei que o que quero ainda não tem preço.

Tá, se alguém aí me der uma bolsa branca da Puma ou um daqueles vestidos chiquérrimos da Morena Rosa eu ficarei extremamente agradecida. Mas eu quero o abstrato. Eu quero um pacote cheio de novos sonhos, ambições. Quero um punhado de luz para os meus dias turvos. Quero um novo balão de oxigênio, para eliminar minha asma e me dar fôlego novo.

Acho que nesses momentos em que um ciclo está prestes a se completar a gente passa a refletir mais sobre a vida. Eu estava lembrando hoje do filme “Eternal Sunshine of the Spotless Mind” – O brilho eterno de uma mente sem lembranças, de 2004. Se existisse um procedimento daqueles eu certamente o pediria de presente. Adoraria deletar algumas situações do meu cérebro. Eu seguramente sou uma dessas “Clementines” que aparecem por aí. Sabe aquelas meninas extremamente alegres que escondem uma sombra no olhar? Pois é.

Eu pegaria a caixinha verde da estante do meu quarto, cheia de cartas antigas, e a jogaria no lixo. Eu nunca mais iria me lembrar daqueles malditos momentos que não me largam. Eu apagaria o dia do samba. Deletaria o som daquela voz me chamando por apelidos fofos. Seria tão divertido imaginar um telegrama chegando à casa de algumas pessoas dizendo “A Amanda realizou esse procedimento e, infelizmente, não lembrará mais de você”. Seria realmente um aniversário perfeito.

Certamente, o enredo do filme seria seguido. E talvez, assim como o Joel, eu me arrependesse de deletar coisas tão memoráveis quanto os momentos que passamos juntos. Mas eu tentaria. Eu iria até o final. Eu veria novamente tudo àquilo que já deveria ter deixado para trás. Talvez eu tentasse desfazer a decisão que tomei, quase irrefutável. Mas eu tenho certeza: iria até o final. Seguiria o enredo até o início, quando eles se conhecem novamente no trem. E para que meu dia 3 de novembro fosse perfeito, tenho certeza que me empolgaria de novo. E entenderia, mais para o final do dia, que a gente não pode fugir de algumas escolhas cerebrais. E riria da minha impulsividade, nos braços do cara que eu amo.


Amanda Campos

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