
E aí?
Nem travesseiro, nem colo de mãe, nem ombro da irmã ou bebedeira com as amigas: nada conseguiria arrancar essa COISA que se alojou no meu peito hoje. Os antes sonhados finais de semana se transformaram numa somatória vulgar da minha vida sem aqueles olhos, resquícios de barba e cabelos grandes. Eu tinha até esquecido como era sofrer com a ausência de alguém.
Tá certo que o terrorismo começa no final de semana, mas a segunda-feira, já odiada por meio mundo, se tornou, para mim, uma amostra repugnante de como é difícil enfrentar uma série de dias sem ter ânimo para levantar da cama, se maquiar e interagir com outras pessoas. Tento me convencer de que sou maravilhosa demais para passar por isso, mas depois de 22 tentativas, acabo desistindo – ô numerosinho de merda!
Analiso minha vida constantemente. Acho até que vou mudar de profissão. Mas ainda sim a lembrança daquela velha jaqueta parada no portão de casa ainda me enche os olhos. E passo o sábado sozinha na sala, esperando ouvir uma buzina que nunca vai soar próxima à minha calçada. Aquela COISA que comprime meu estômago e a garganta não me larga nem com reza. E olha que ultimamente tenho rezado bastante.
Às vezes é pra sofrer mesmo, né? Dizem que a gente amadurece quando passa por bons perrengues. E esse é, sem dúvida, um dos maiores. Tardios, mas ainda assim, um dos maiores. O problema é que tá difícil superar. E quem disse que a COISA vai embora quando você sai pra dançar? Quem disse que a COISA monstruosa diminui quando a gente bebe? Não tem jeito. Acho que não tem mais saída. Recorro àqueles que podem me ajudar, mas nem isso ajuda.
Outro dia li que "bilhetes guardados no fundo das gavetas contariam a outra versão da nossa história, caso viessem a público". Talvez a Martha Medeiros tenha razão, embora os meus bilhetes já saíram da gaveta há muito tempo. E aí? O que acontece agora?!
Amanda Campos
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