Metade
A gente deve fazer o que precisa ser feito, ponto. Não adianta ficar dando murro em ponta de faca, escondendo os olhos para os problemas, dar mais tempo para o que já não tem mais razão. Tentei uma, duas, dez, cinquenta vezes, mas há situações que simplesmente fogem do nosso controle. E eu cansei. Os momentos bons foram inegáveis, admito. Imaginei que jamais existiria no mundo outro alguém que me entendesse melhor do que ele. O cara se tornou meu melhor super amigo, com a ressalva de já ter sido minha paixão um dia.
E as gargalhadas no trânsito? E toda a nossa falta de talento musical enquanto, simplesmente, esquecíamos a fila complexa do Mc Donald’s? E aquele restaurante entre meu trabalho e a casa dele que, de tanto insistirmos, virou o “nosso” restaurante? Posso falar ainda dos porres e da alegria de ter aquele ombro amigo para encostar a cabeça enquanto o mundo rodava? Já é demais, né?
A praia. A incrível praia. A incrível praia e nossa bola rosa de vôlei. A energia que me possuiu naquele feriado. E era ele. Sempre ele que parava cinco minutos para descansar e fingir que havia recuperado o fôlego para jogar comigo todas as 70 vezes que eu chamei. E para correr comigo. E para comer churrasco. Ou ir mergulhar. Ou passar protetor solar. Ou me irritar e me abraçar apertado depois.
Quem mais nesse mundo me deixaria usar um carro novo quando eu sequer sabia qual o barulho de um pneu furado? Quem mais ficaria horas preocupado com um projeto experimental que nem acresceria um 10 em seu currículo escolar? Qual outra pessoa me emprestaria aquele riso menino...quando eu fechava a cara e o expulsava da minha sala?
Infelizmente, as coisas mudaram numa noite dessas, quando o álcool lhe subiu à cabeça. E o ciúme, aquele meu companheirão de todas as horas, se apossou da mão dele. E fez aquele estrago no meu rosto. A partir daquele dia, eu sabia que alguma coisa tinha diminuído, só não havia entendido direito o que.
A gente sabe como lutou para continuar, não é? Mas nunca mais fomos os mesmos desde aquela noite. E tentamos ainda, mas qualquer estresse se transformava no apocalipse ou qualquer grito pelo telefone era antecedido de empurrões, alta velocidade e “nãos”. Dizem que a gente só deve carregar no coração o que foi bom. Eu, que não sou poeta nem nada, não sou capaz de fazê-lo, infelizmente. Hoje, mais uma vez, você me perdeu, e para sempre. Sorte a sua, que não ouvirá mais meus suspiros tristes. Sorte a minha, que já aprendi a ser metade.
Amanda Campos
Qro mais crônicas pro meu entretenimento! (:
ResponderExcluirPq deletou o ultimo post? e pq não respondeu a pergunta?
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