
Motivos
Precisava de um motivo para te odiar. Unzinho. E num único final de semana, você me deu todos. Num único final de semana, vi alguns anos da minha vida jogados pela rua como se ali, entre o meio-fio e a calçada, estivessem planos, sonhos e as palavras bonitas que eu declarei e guardei pra você.
Tá certo que eu já deveria saber que aqueles defeitos pequenos poderiam tornar-se grandes algum dia. Ainda assim, eu nunca soube o que responder quando alguém me perguntava qual, entre eles,mais me incomodava. O que mais me irritava nesse seu jeito. Vai menina, pensa mais um pouco. Acho que...sim, naquele dia...não, eu o deixei nervoso. Mas...se bem que na tarde daquele domingo...não, ele reclamou porque estava doente e não queria que EU me levantasse da cama.
Eu, eu, eu...EU sempre à frente do seu peito para te defender. Para defender um coração que eu jurava ser meu. Para defender aquele que eu julgava jamais poder me machucar, com aqueles cabelos angelicais e sensibilidade pouco mostrada. Aquele que era meus olhos castanhos, minha pele morena, meu diário, papel de carta, boleto bancário.
Acabei guardando, no fundo daquela última gaveta da cômoda, aquela visão dos telefonemas dominicais chatos, aquele cochicho no sofá da sala, aquela aversão em atender o numero dela na minha frente. Coloquei ali, embaixo das lembranças da primeira viagem, das tardes de amor com o ventilador barulhento no máximo e das noites de frio com o seu braço sobre meus quadris.
Aquela verdade que eu não queria ver passou por mim e me chaqualhou. Aquela foto me esfregou na cara o que eu não deveria ter percebido por ser ingênua demais. E o barulho daquela frase ecoou na minha cabeça uma centena de vezes. E finalmente senti o gosto de decepção que as minhas amigas tanto me falaram.
Mas sabe o melhor disso tudo? Sabe o melhor de descobrir que você foi passada pra trás? Que nenhuma mulher pode suprir a ausência de outra, ainda mais quando a "atual" não tem as qualidades da primeira. E eu percebi que o comodismo alivia, mas não apaga a dor de ter perdido caráter, simpatia, conteúdo e bom-humor. E foram esses pequenos valores que você trocou por um par de peitos.
Saio de casa todos os dias com um livro novo, músicas e uma saudade que aos poucos se dissipa. Porque eu tenho um coração que pulsa de verdade e já sangrou muito, mas agora aprendeu que até as duas faces da vida tem lá seus valores. E não me sinto boba ou ingênua por causa disso. O que mais mudou nesse meio tempo é que hoje eu sou alguém com personalidade e não preciso mais “querer ser” alguém, entende? Estou mais forte porque ando enfrentando meus obstáculos ao invés de fugir deles. E por mais que pareça nostálgica, sinto uma tristeza profunda por você ter perdido aquilo que eu mais admirava: a inteligência.
Amanda Campos
Qual é nome dela? Tem parentsco com ele? joga no ventilador!
ResponderExcluirVc acha que isso só aconteceu a uma única pessoa na face da terra? Os textos mostram o dia-a-dia de várias pessoas, não o de uma exclusivamente.
ResponderExcluirAh ta...Para com isso sabemos que isso aqui é uma auto biografia.Ser trocada pela prima feia(dele) realmente é muito triste
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ResponderExcluirTrocada? Hahah reveja a historia...
ResponderExcluirPS: tantos detalhes assim devem ter algo a ver com o assunto então...mas anonimato? Desculpa...sou mulher demais para deixar a autoria dos meus atos no “anonimato”.